Metodologia de salvaguarda
A CAMP desenvolve uma metodologia própria para recebimento, organização, preservação, digitalização, catalogação e disponibilização de acervos de arquitetura.
O processo considera conjuntamente a preservação dos documentos originais, a organização intelectual dos fundos, a produção de arquivos digitais de preservação e a criação de instrumentos que permitam localizar, compreender e utilizar a documentação.
Cada acervo possui características próprias. Volume, estado de conservação, tipos documentais, organização original, período histórico e condições de chegada são avaliados antes da definição do fluxo de trabalho.
A metodologia é adaptada a essas características, mantendo procedimentos comuns de identificação, controle, documentação e preservação.
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Entrada e registro do acervo
O trabalho começa antes da intervenção direta nos documentos. No recebimento, são registradas informações sobre a procedência do material, titularidade, autoria, volume aproximado, tipos documentais, condições de armazenamento e histórico conhecido do conjunto.
Sempre que possível, a organização encontrada no acervo é documentada antes de qualquer alteração. Caixas, tubos, pastas, envelopes, inscrições, etiquetas e agrupamentos existentes podem conter informações importantes sobre a forma como o arquiteto ou escritório organizava sua produção.
Essas informações fazem parte da história documental do acervo.
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Diagnóstico inicial
Após a entrada, é realizado um levantamento preliminar do conjunto. O diagnóstico busca identificar:
- Quantidade aproximada de documentos
- Tipos de suporte
- Formatos e dimensões
- Estado geral de conservação
- Organização existente
- Presença de plantas, desenhos, fotografias, negativos, slides, documentos textuais e publicações
- Necessidade de higienização
- Necessidade de novo acondicionamento
- Materiais que exigem tratamento específico
- Prioridades de processamento e digitalização
O diagnóstico orienta o planejamento técnico e permite dimensionar equipamentos, materiais, espaço físico e tempo necessários para o tratamento do acervo.
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Manutenção da proveniência
A CAMP procura preservar a relação dos documentos com seu produtor e com o conjunto documental ao qual pertencem.
Um acervo de arquitetura não é apenas uma reunião de desenhos ou fotografias. A relação entre projetos, documentos administrativos, correspondências, fotografias, croquis, publicações e registros de obra pode fornecer informações relevantes para a compreensão do trabalho de um arquiteto ou escritório.
Por isso, a organização busca evitar a separação arbitrária de documentos que possuem relação entre si. Sempre que possível, a estrutura documental existente é identificada, registrada e utilizada como referência para o processamento do fundo.
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Identificação e codificação
Os conjuntos processados pela CAMP recebem uma estrutura de identificação que permite acompanhar cada documento ao longo das diferentes etapas de tratamento. Fundos, projetos, séries documentais e itens recebem códigos próprios.
Essa identificação permite relacionar o documento físico à sua representação digital, aos metadados correspondentes e à sua posição dentro do acervo.
A codificação também reduz ambiguidades, facilita a localização física dos materiais e permite controlar grandes volumes documentais.
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Higienização
Antes da digitalização e do acondicionamento definitivo, os documentos passam por processos de higienização quando necessários. A intervenção depende do suporte, do estado de conservação e das características de cada material.
O objetivo é reduzir poeira e resíduos superficiais e preparar os documentos para armazenamento, manuseio e digitalização. Materiais que apresentam condições que exigem intervenção especializada são identificados e separados para avaliação específica.
A CAMP prioriza procedimentos de conservação preventiva e evita intervenções desnecessárias sobre os documentos originais.
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Organização documental
Depois da identificação inicial, os materiais são organizados de acordo com a estrutura definida para cada fundo. Em acervos de arquitetura, um mesmo projeto pode possuir diversos documentos relacionados:
- Desenhos técnicos
- Estudos preliminares
- Croquis
- Cópias heliográficas
- Pranchas de apresentação
- Fotografias
- Negativos
- Slides
- Correspondências
- Memoriais
- Contratos
- Publicações
- Recortes
- Documentos de obra
Sempre que possível, essas relações são registradas no sistema de catalogação. O objetivo não é apenas localizar um documento individualmente, mas compreender seu contexto dentro do projeto e do acervo.
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Acondicionamento
Após o tratamento, os documentos são acondicionados de acordo com formato, suporte, estado físico e frequência prevista de consulta. São utilizados materiais e soluções de acondicionamento adequados às necessidades de cada conjunto.
Tubos, caixas, pastas e outros acondicionamentos recebem identificação externa vinculada ao sistema de codificação do acervo. O acondicionamento tem três objetivos principais:
- Reduzir danos decorrentes de armazenamento e manuseio
- Facilitar a localização dos documentos
- Permitir a manutenção da organização definida para o fundo
Documentos de grande formato recebem atenção específica devido às características comuns dos acervos de arquitetura.
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Digitalização
A digitalização constitui uma etapa importante da metodologia de salvaguarda da CAMP. A instituição mantém equipamentos destinados a diferentes tipos e dimensões de documentos, incluindo materiais de grande formato, fotografias, negativos, slides, livros e documentos textuais.
Os parâmetros de captura são definidos considerando suporte, dimensão, finalidade e características do documento. A digitalização tem diferentes objetivos:
- Preservação digital
- Redução do manuseio do original
- Consulta
- Pesquisa
- Catalogação
- Publicação
- Exposições
- Produção editorial
Sempre que adequado, são produzidos arquivos de alta resolução destinados à preservação e versões derivadas destinadas à consulta.
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Arquivos de preservação e consulta
A CAMP diferencia os arquivos destinados à preservação dos arquivos produzidos para uso cotidiano.
Matriz de preservação
Mantida com qualidade e resolução compatíveis com a preservação e com futuras utilizações do documento.
Versões derivadas
- Consulta
- Plataformas digitais
- Pesquisa
- Comunicação e outras aplicações
Esse procedimento evita que versões comprimidas ou reduzidas sejam utilizadas como única representação digital de um documento.
A estrutura de armazenamento é organizada para manter clara a relação entre arquivo original digitalizado, matriz de preservação e versões derivadas.
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Padronização dos arquivos digitais
A organização dos arquivos digitais é tratada como parte do processo arquivístico. A CAMP utiliza convenções de nomenclatura, estrutura de diretórios, códigos de identificação e separação entre arquivos de preservação e arquivos de consulta.
Essa padronização permite processar grandes volumes de documentos mantendo consistência e rastreabilidade.
O objetivo é evitar situações comuns em acervos digitalizados sem metodologia, como arquivos sem identificação, duplicações, nomes inconsistentes e imagens que não podem mais ser relacionadas aos documentos físicos originais.
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Metadados
Uma imagem digitalizada sem informação associada possui capacidade limitada de pesquisa.
Por isso, a CAMP registra metadados relacionados aos documentos e aos projetos. Dependendo do material e das informações disponíveis, podem ser registrados dados como:
Nem todos os documentos chegam com essas informações completas. A catalogação também envolve pesquisa, comparação de documentos e identificação progressiva de dados.
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Catalogação
Os metadados são estruturados em sistemas de gestão de acervos. A CAMP utiliza o Tainacan, plataforma brasileira de código aberto voltada à organização e difusão de coleções digitais.
A catalogação cria relações entre fundos, projetos, documentos, autores, obras e demais informações relevantes. Isso permite que o acervo seja pesquisado por diferentes critérios e não dependa exclusivamente da localização física ou do conhecimento prévio de quem o organizou.
O sistema pode ser ampliado conforme novas informações são descobertas durante pesquisas posteriores.
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Controle entre físico e digital
Um princípio importante da metodologia da CAMP é manter a correspondência entre o documento físico, o arquivo digital e o registro catalográfico.
Documento físico
A prancha, o negativo, a fotografia ou o documento no seu acondicionamento identificado.
Arquivo digital
A matriz de preservação e as versões derivadas produzidas a partir dela.
Registro catalográfico
Os metadados e as relações do documento dentro do fundo.
Dessa forma, uma imagem localizada no banco de dados pode ser relacionada ao documento original correspondente, e um documento físico pode ser associado aos seus arquivos digitais e informações catalográficas.
Essa rastreabilidade é essencial para a gestão de acervos de grande escala.
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Preservação digital
Digitalizar não é suficiente para garantir preservação.
Os arquivos produzidos precisam ser organizados, armazenados e mantidos em estruturas que permitam sua recuperação ao longo do tempo.
A CAMP trabalha com separação entre arquivos de preservação e consulta, nomenclatura padronizada, estruturas de diretórios documentadas e rotinas de armazenamento e cópia.
Os processos são desenvolvidos para reduzir a dependência de conhecimento individual e permitir que a estrutura do acervo continue compreensível no futuro.
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Pesquisa e complementação das informações
A catalogação de um acervo não necessariamente termina na primeira etapa de processamento. Novas informações podem surgir posteriormente por meio de pesquisas, publicações, entrevistas, documentos de outros arquivos e contribuições de pesquisadores.
Os registros podem ser complementados e revisados conforme novas informações documentadas são identificadas.
Essa característica é especialmente importante em acervos que chegam parcialmente identificados ou cuja documentação foi fragmentada ao longo do tempo.
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Acesso
O tratamento documental é desenvolvido para permitir acesso. Depois de identificado, organizado, digitalizado e catalogado, o material pode ser utilizado em pesquisas, publicações, exposições, atividades educativas e outros projetos.
O nível de acesso depende das condições de conservação, direitos autorais, titularidade, dados presentes nos documentos e condições estabelecidas para cada fundo.
Sempre que possível, a consulta digital é priorizada para reduzir o manuseio dos documentos originais.
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Difusão
A documentação dos acervos pode resultar em diferentes formas de produção e circulação de conhecimento. Entre elas:
- Pesquisas
- Livros
- Catálogos
- Exposições
- Artigos
- Conteúdos digitais
- Cursos
- Palestras
- Atividades educativas
- Visitas
- Projetos acadêmicos
A difusão é considerada parte do processo de salvaguarda porque amplia o conhecimento sobre os documentos e incentiva novas pesquisas.
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Revisão contínua
A metodologia da CAMP não é tratada como um procedimento fechado. Novos acervos apresentam novos problemas documentais, técnicos e operacionais.
Por isso, os processos são revisados conforme a experiência acumulada, o desenvolvimento de novas tecnologias, a ampliação da infraestrutura e o intercâmbio com pesquisadores e outras instituições.
Procedimentos que podem ser automatizados são sistematizados, mantendo supervisão sobre identificação, organização documental e controle de qualidade.
Do documento físico ao acesso
O fluxo de salvaguarda da CAMP pode ser resumido nos estágios abaixo, que agrupam as dezoito etapas descritas nesta página. Cada etapa produz informações necessárias para a etapa seguinte.
- Recebimento
- Diagnóstico
- Identificação
- Higienização
- Organização
- Codificação
- Acondicionamento
- Digitalização
- Controle de qualidade
- Metadados
- Catalogação
- Preservação digital
- Pesquisa
- Acesso
- Difusão
O objetivo é construir um sistema no qual documento físico, representação digital e informação catalográfica permaneçam relacionados.
Salvaguarda como processo permanente
A salvaguarda de um acervo não termina quando a última prancha é digitalizada. Ela envolve manutenção física, gestão dos arquivos digitais, revisão de informações, pesquisa, controle documental e atualização dos instrumentos de acesso.
A CAMP estrutura seus acervos para que possam permanecer organizados, compreensíveis e utilizáveis no longo prazo.
Preservar significa garantir tanto a permanência do documento quanto a permanência das informações necessárias para identificá-lo, localizá-lo e compreender seu contexto.
Para tratar de um acervo com essa metodologia: contato@camp.arq.br

